“Cada vez que presencio e vivo o empolgamento de cada jogo da Selecção Portuguesa não deixo de me lembrar como o escritor brasileiro Graciliano Ramos está longe de ver a sua profecia cumprida. “Para chegar ao soberbo resultado de transformar a banha em fibra, aí vem o futebol”, dizia Graciliano Ramos, em 1921, numa fórmula que quase parecia uma mezinha caseira de preparação para o Verão. O que é certo é que o futebol entrou na vida de muitos escritores. Lembro-me, por exemplo, de “Feliz ano novo”, de Rubem Fonseca, um livro que revelava os corredores obscuros da censura. A história, passada em 1970, conta a história de amor de Zezinho e Nely. Zezinho sonha ascender socialmente pelo futebol e tem, por isso, algumas descrições brilhantes: “Eu tinha que comer a bola no domingo, do Madureira para a selecção, bola com Zezinho, é gooolo! Uma multidão gritava dentro de minha cabeça”. E nada melhor do que reagir assim à derrota: “Vamos virar esse placar, pessoal, eu disse para os companheiros, botando a bola debaixo do braço e correndo para o meio do campo, para dar a saída, igual o Didi na final da copa de sessenta e dois”.
Escolhemos o futebol porque nós adoramos futebol e achamos interessante mostrá- lo ao mundo como se fosse literatura. Porque muitas pessoas pensam que futebol não é Literatura, mas o futebol é Literatura, porque tudo que se passa no futebol pode ser passado para os livros. Um dos exemplos que estamos a dizer é o livro “Um Golo de Ouro”, do autor Nuno Magalhães Guedes.
Daniel Rodrigues, Miguel Pereira, Miguel Castanheira, João Maria e Carlos Daniel.

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